O sobrenatural existe 3 x 0

É madrugada de terça pra quarta-feira no Rio de Janeiro.
As ruas, fantasmagoricamente vazias, sem boêmios ou mendigos, o céu, um cinza escuro soturno, turvo e sombrio.

A cidade inteira dorme.

A paz absoluta, porém, cabreira, apenas prenuncia o rebuliço que está pra chegar.

Portas que nos aconchegavam no conforto dos nossos lares agora batem violentamente sem parar, janelas que nos protegiam de todo o mal agora assobiam e saculejam.

A cidade agora assiste.

Assiste da janela o cenário da devastação, sob chuva e vento: árvores despencando sobre carros, arrancadas de suas raízes centenárias, postes de concreto partindo-se pela metade, transformadores em chamas, fios de alta tensão pelo chão. Matéria física alguma é capaz de suportar tamanha fúria.

O que quer que isto seja, por onde passar não deixará pedra sobre pedra.

Meteorologistas vão dizer que áreas de instabilidade avançaram sobre o estado.
Mais religiosos vão dizer que o apocalipse se aproxima.
Cada um diz o que quer.

Mas são os rubro-negros que sabem da chegada.

Curvem-se reles mortais e assistam de suas janelas à chegada sobrenatural triunfal do Espírito Rubro-Negro vivo!

O Espírito aterrisou na madruga, avisando logo que tava na área, mas a missão mesmo era às 22h no templo preferido de suas manifestações no plano da carne: o Maracanã.

Levantem suas caras pálidas de pau do chão, é preciso ver pra crer.

E nós vimos, ontem, mais uma vez.

Diante de pouco mais de 20 mil fiéis e um cenário dado como impossível por toda a mérdia especializada, vimos uma delegação inteira de guerreiros de fé tomados pela entidade sagrada, lutando até o último respingo de sangue pela glória em preto e vermelho.

O impossível, amigos, não existe no dicionário Flamengo.

Não há cientista que explique. Não há especialista que entenda.
Queimem seus livros de matemática, queimem seus livros de estatística: o Flamengo não pertence a esse mundo!

E pra terror dos adversários e dos boca murcha do ceticismo, a notícia que recebo é a seguinte: O Espírito Rubro-Negro vai esticar sua estada.

Parece que são os milagres que o alimentam, e as emoções que o fazem mais forte.
E depois de mais uma manifestação pública do misticismo do pano rubro-negro como a de ontem já é cogitada sua presença até o fim do ano.

Que se segurem os Oswald de Souza.
Que se controlem os Tristão Garcia.

O inimigo da lógica, da estatística, da probabilidade e da matemática está de volta.

Estão todos convidados aos cultos.
Sábado teremos o primeiro deles no nosso templo.

Se acheguem pra ouvir uma palavra.

Há quem diga que o Espírito estará presente novamente.
É preciso ver pra crer.

O que quer que isto seja, por onde passar não deixará pedra sobre pedra.

Segurem a tempestade Flamenga!
Pra cima deles, Men-gô!

SRN

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Camisa pesadona 1 x 0 paquitas de laranjópolis

A juventude. Ah, a juventude…
Se em outros momentos da história os jovens foram protagonistas das mais viris e importantes mudanças da nossa sociedade, hoje são responsáveis pelas maiores presepadas e mocoronguices deste planetoide pederasta irrelevante para o universo.

O que esperar de um time de FUTEBOL recheado de jovens no lugar de carcumidos, porém importantes, veteranos lentões?

Nos bons e sérios tempos de Rondinellis, Mancusos ou Juniors Baianos, teríamos uma matilha selvagem de pequenos virgens predadores, exalando feromônios transões, à caça da indefesa vítima a vagar desavisada pela relva reluzente. Briosos e espadaúdos eles não raciocinam muito, é verdade, porém não há lugar para paumolecências e pés de alface. É muito short rasgado, bigode grosso, cabelo crespo, mullets de 25 centímetros, dente quebrado, barba de lenhador, mancha de sangue no manto e cal nos córneos. É a chance da vida. É o Flamengo do Zico.

Mas, pra nossa infelicidade e decepção, os tempos são outros. Os jovens são outros, os ídolos são outros. É tempo de Justins Biebers.
É tempo de muito moicano, chuteira colorida, muito brinco, relógio de brilhante e cabelo molhado. É muito carro branco, instagram, iPhone, iPad, óculos de aro grosso, boné de aba reta, creme rinse, chapinha, barba desenhada, piercing na bitola, perna raspada, Yogoberry, Koni, tênis de 20 molas, cueca fio dental, tatuagem no cóccix, calça skinny colorida, camarotes, hashtags e retweets. Muito petit gateau e pouco feijão.

Inaceitável para a honrosa agremiação esportiva erguida sobre as bases mais ferrabrases do esporte bretão.

O que se viu hoje em campo, mais uma vez, foi um bando de virgens borracha fraca sem respeito tentando arrumar uma transinha pelo falecido chat da Uol. Porra! Tem que botar a cara na pista, malandro! 22 mocorongos barbados incapazes de tratar a gorducha com carinho e dar-lhe a sapatada que merece. Inevitavelmente o único gol da partida só poderia ter saído de uma canelada espiritual bisonha de um peão qualquer contra o próprio patrimônio. Pra sorte geral rubro-negra, nosso time reserva é do mesmo nível do scratch galático florminense.

Não vou nem entrar no mérito de dar nome às cornetadas (Frauches!) porque desde as 21h16 deste domingo que eu só penso em estar altamente alterado de Matte Leão nos arredores do New Maracanan na próxima quarta-feira.

Aos nobres roommates Flamengos presentes hoje à noite, meus parabéns. Deixamos a casa nova arrumadinha pra receber a purpurinada visita das paquitas mais uma vez e elas não compareceram. Desfeita feiona. Parece até que a gente sempre trata mal as cheias de pompa meninas de Laranjópolis.

SRN, faltam uns 2790 minutos pro jogo que importa dessa semana.