Mengaralhaço 1 x 0 Estalinho ausente mais uma vez

Aaahhhhhh!!

Nada melhor do que um bom e assíduo freguês pra dar uma levantada na firma quando a época é de vacas magras.

Apesar de toda devoção e dedicação da nação, o angu Flamengo andou encaroçadíssimo. Dias sombrios pairaram sobre o castelão sinistro preto e vermelho.

Mas sob a bênção de São Luxa, não sem muito soco na porta, dedo na cara e chute na bunda, já é possível ver horizonte no céu grafite que cobria nosso planetão rubro-negro. E o melhor: sem nem cheiro dos ebós André Santos, Elano e o mão de pau o qual não se deve mencionar o nome.

Fizemos um primeiro tempo hoje de dignidade não vista desde a Copa do Brasil do ano passado.

Todo mundo correndo firme, semi-organizado, com jogada e pouco erro de passe.
Não sei se foi a saída de Neypatinga, a chegada do São Luxa ou a ausência dos ebós. Mas algo mudou na vitamina dos nossos soldados.

Deu gosto de ver a dedicação e o desenrole dos primeiros 45.

Príncipe Cáceres, o dono absoluto do meio-de-campo. Assumindo a responsa máxima da saída de bola com coragem, batendo a carteira dos pão-com-ovo com garbo e elegância e dividindo as pingadas ferrabrasmente como tem que ser. Já defendi sua beleza destacada aqui na nossa cozinha e volto pra declarar meu sentimento por este jovem novamente. O melhor em campo na minha humilda e irrelevante opinião. Chupa, Casalberto!

Quem chegou com frenesi no fosquete pelas estreias da noite, ao invés dos galáticos Edward o Croata da VK e Canteros, assistiu ao show de Maldinicelo. Na companhia do hour-concour Schopenwallace, o rapaz, que caiu de pára-quedas no time titular, deu aula de como ser um borracha forte na cozinha Flamenga. Não passava nem mosca nos metros quadrados vigiados pelo espadaúdo becão. Gratíssima surpresa e nobre oportunidade de encostar mais um jogador vintage do nosso scratch. Tchau, Chicão!

Destaques válidos:
– A atuação de menino Mugni, cada vez mais solto, totalmente leleke, mostrando que pode ser muito útil;
– A atuação de PV: bastaria manter o mão-de-pau filho do satanás longe da nossa casinha pra amarmos PV, mas ele foi lá e ainda agarrou maneiro;
– A sustagem que o Luizan Tônio está tomando: também quero;

Mas o deslumbre dominical só foi completo quando o enviado divino Jean Paul abençoou nosso retorno ao New Maracanan com um passe de 40 jardas certeiro na careca lustrada de Molequessandro. O rapaz da 19 não fez desfeita, estufando o barbante sofrido de Nego Jeff e comemorando feito homem, pra minha supresa.

O segundo tempo ainda reservava as emoções fortíssimas da presença de Neguebs sem freio e dúzias de bolas pingando no nosso pagode, devidamente espanadas, por bem ou por mal, pela nossa dupla de gladiadores da zaga.

3 pontos pingados na nossa continha, música nova já hit no Maraca e fizeram meu domingo mais feliz. Já estava com saudade disso tudo aqui.

Ainda estamos no cheque especial mas tem chão pra corrermos atrás desse prejú.

Que o pano pesado apronte mais uma das suas, e que a gente possa rir de tudo isso no final outra vez.

SRN

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Camisa pesadona 1 x 0 paquitas de laranjópolis

A juventude. Ah, a juventude…
Se em outros momentos da história os jovens foram protagonistas das mais viris e importantes mudanças da nossa sociedade, hoje são responsáveis pelas maiores presepadas e mocoronguices deste planetoide pederasta irrelevante para o universo.

O que esperar de um time de FUTEBOL recheado de jovens no lugar de carcumidos, porém importantes, veteranos lentões?

Nos bons e sérios tempos de Rondinellis, Mancusos ou Juniors Baianos, teríamos uma matilha selvagem de pequenos virgens predadores, exalando feromônios transões, à caça da indefesa vítima a vagar desavisada pela relva reluzente. Briosos e espadaúdos eles não raciocinam muito, é verdade, porém não há lugar para paumolecências e pés de alface. É muito short rasgado, bigode grosso, cabelo crespo, mullets de 25 centímetros, dente quebrado, barba de lenhador, mancha de sangue no manto e cal nos córneos. É a chance da vida. É o Flamengo do Zico.

Mas, pra nossa infelicidade e decepção, os tempos são outros. Os jovens são outros, os ídolos são outros. É tempo de Justins Biebers.
É tempo de muito moicano, chuteira colorida, muito brinco, relógio de brilhante e cabelo molhado. É muito carro branco, instagram, iPhone, iPad, óculos de aro grosso, boné de aba reta, creme rinse, chapinha, barba desenhada, piercing na bitola, perna raspada, Yogoberry, Koni, tênis de 20 molas, cueca fio dental, tatuagem no cóccix, calça skinny colorida, camarotes, hashtags e retweets. Muito petit gateau e pouco feijão.

Inaceitável para a honrosa agremiação esportiva erguida sobre as bases mais ferrabrases do esporte bretão.

O que se viu hoje em campo, mais uma vez, foi um bando de virgens borracha fraca sem respeito tentando arrumar uma transinha pelo falecido chat da Uol. Porra! Tem que botar a cara na pista, malandro! 22 mocorongos barbados incapazes de tratar a gorducha com carinho e dar-lhe a sapatada que merece. Inevitavelmente o único gol da partida só poderia ter saído de uma canelada espiritual bisonha de um peão qualquer contra o próprio patrimônio. Pra sorte geral rubro-negra, nosso time reserva é do mesmo nível do scratch galático florminense.

Não vou nem entrar no mérito de dar nome às cornetadas (Frauches!) porque desde as 21h16 deste domingo que eu só penso em estar altamente alterado de Matte Leão nos arredores do New Maracanan na próxima quarta-feira.

Aos nobres roommates Flamengos presentes hoje à noite, meus parabéns. Deixamos a casa nova arrumadinha pra receber a purpurinada visita das paquitas mais uma vez e elas não compareceram. Desfeita feiona. Parece até que a gente sempre trata mal as cheias de pompa meninas de Laranjópolis.

SRN, faltam uns 2790 minutos pro jogo que importa dessa semana.


TEJE MORTO, Faisqueta!

Vivemos numa era definitivamente ingrata para os amantes do futebol romântico. Uma era de futebol mercenário. De futebol burguês. De sheiks comprando clubes. De galáticos. De managers engravatados à beira do campo. De Alexandres Patos. De Vampetas. De indolência, falta de sangue, indiferença à camisa. De New Maracanans de gola rolê. Do abismo entre povo e poder ainda mais agigantado.

Mas graças aos Deuses, a todas as forças magnéticas interestelares e a seis jovens remadores, existe o pano pesadão Flamengo.
O Flamengo é a salvação do futebol popular. A salvação do povo. A salvação da cultura do povo. O Flamengo é justamente aquele incômodo banguela que as novas “Arenas” aristocratas querem longe das arquibancadas. O Flamengo é o meu melhor amigo na noite de ontem, um senhorzinho negão de mão cascuda pelo trabalho duro, camisa suja e poucos dentes na boca, encantado com a “modernidade” do New Maracanan, e se fazendo presente mesmo com os sufocantes preços dos ingressos. O Flamengo é o terror da burguesia. O Flamengo é a contra-cultura. O Flamengo é seita, é religião. O Flamengo é a favela, é o morro e o asfalto. O Flamengo é o povo.

E em campo, é vestido de povo que o Flamengo é mais forte e quase imbatível. Porque aqui não há lugar para reforços galáticos, “professores” engravatados ou grandes “craques” repatriados. Aqui é lugar de quem rala a bunda no chão, come grama, sua sangue. É Paulinho, é Amaral, é Hernane, é Léo Moura e é Jayme. E algo especial sempre vai acontecer quando as forças cósmicas Maracanã, povo cascudo e jogadores se alinharem e encarnarem o espírito místico rubro-negro gigante.

Eu só tenho a agradecer por ontem a rapazeada ter entendido o que é ser Flamengo e nos proporcionado mais uma noite magnética que nunca vamos esquecer. Especialmente a três pessoas da mais envergada cascagrossice:
– Nosso aniversariante capita Léo “Velho Punk” Moura, quase 500 jogos honrando o pano preto e vermelho, 8 anos de casa, presente nos tempos mais difíceis e protagonista em todas as nossas maiores glórias dos últimos anos, sempre com os calções sujos de terra e o moicano 100% suado. O parabéns cantado nas arquibancadas foi das coisas mais arrepiantes que já presenciei. Merecidíssimo;

– Nosso querido comandante über sinistro Jayme Guardiola, a personificação do que é ser Flamengo. Um manual vivo sobre o que é ser Flamengo. Um tapa na cara (com talco e raiva) da “classe” burguesona mais super valorizada do futebol brasileiro, os LIXOS milionário pretensiosos também chamados de técnicos de futebol (chupa essa, Mano!);

– E finalmente o MONSTRO Paulinhonel Messi, o fenômeno de Piracicaba, o Biotônico Fontoura da Gávea. É impressionante o que o caboclo corre e se dedica durante todo o jogo em todos os jogos. É o espírito do povo vivo vestido com a camisa #26 envergadora de varal em campo. Lépido, fagueiro, abusado, tinhoso. É o típico magrinho descalço esculachador dos campos de terra batida desse Brasil. Sua disposição intimidadora seria o suficiente para conquistar nossos corações. Mas ainda assim somos presenteados com endiabrada habilidade e rara ensaboadura na ponta esquerda. Humilhante. Alguma coisa tem no Toddynho dessa criança.

Aos meia dúzia de indignados alvinegros vivos, meus parabéns. O ingresso saiu barato pra vocês.
Assistiram à maior festa popular do mundo do melhor ângulo possível.

SRN, que venha a próxima platéia