4 x 2 chora, Parmêra!

Pultaqueupariu! É o zagueiro mais inteligente e culto do Brasil!
Schopenwallacê!

Rapaziada, que homem é Schopenwallace.

É ótimo zagueiro, defende com afinco e sabedoria as cores rubro-negras, maravilhoso pai de família, fã de Schopenhauer e Nietszche e protagonista de sempre excelentes entrevistas. Fato tão raro quanto ouro no meio da boleirada.

Questionado sobre o 2×1 chinfrim para os Parmêra no primeiro tempo da deliciosa tarde de hoje, nosso xerife da erudição e da cultura respondeu com sapiência:
“Se eu tiver que responder politicamente eu vou dizer que tá tudo bem… Mas não tá.. A gente não consegue jogar bem, não tá conseguindo defender ali atrás.. Vamos conversar e tentar melhorar no segundo tempo.”

Porra! É por essas e outras que sou fã desse cara. Se não é brilhante com a bola no pé, tem uma postura ferrabrás sujeito homem máximo sem ela. Figura fundamental pro funcionamento do time hoje. Corre, dá carrinho, sua a camisa, suja o short, dá esporro. 110% de entrega. E é exatamente esse tipo de atitude que tem faltado na cozinha Flamenga. E é exatamente por esses mesmos motivos que continuo acreditando no trabalho do professor Pep Jaymeola.

É bem verdade que ele deu uma inventada na escalação de hoje. Nosso primeiro tempo foi horroroso. A formação de Winning Eleven com 4 atacantes era o prenúncio de 45 minutos mais acréscimos de puro sofrimento. Venho defendendo Samir e Wallace há algum tempo, argumentando que defesa nenhuma do mundo funciona sem um meio-de-campo e laterais que marquem o mínimo. No caso de hoje, um meio-de-campo vazio que não mordia ninguém. O resultado foi os porco deitando os cabelos na nossa cozinha o primeiro tempo inteiro. 2×1 foi pouco.

Até que o segundo tempo chegou e o menino Mugni, o qual tem a minha simpatia, ganhou mais uma chance diante da sagrada favela. A idéia era “povoar” a meiuca com um carinho a mais pra ligação entre defesa e ataque.

Deu certo pra cacete, o time voltou mais mordido, ganhando todas as divididas e o resultado foi rapidamente virando a nosso favor.

Destaque total pras atuações de Mugni, Alecsandrimovic, Príncipe Cáceres e claro, Schopenwallace.

Pra quem achava o já 3×2 suficiente pra dormir feliz, toma que é de graça. O melhor estava por vir.

Eu, hoje, deito o crânio no travisseiro ciente do pedacinho da história que foi contada no New Maracanan. Ciente que vai chegar o dia que vou contar aos meus netos sobre o domingo que tivemos o privilégio de presenciar o xerife Schopenwallace humilhar o Guarani da capital. Partindo como um cavalo tarado, ainda do seu território, com a pelota sob seu domínio, derrubando inimigo por inimigo, com golpes de magia e técnica, até deixar o companheiro em condições claras de martelar a última pregada no caixão alvi-verde.

Bravo, Flamengo!
Que segundo tempo gostoso de se ver.

Que o baixo astral nos abandone de uma vez por todas e a mística Flamenga tome nossos corações novamente.

As tricoletes que nos aguardem, que domingo que vem tem mais.

SRN

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Fla x Gambazada

Os meia dúzia de leitores mais assíduos da nossa empreitada Flamenga cibernética devem ter percebido que não tenho tido a menor paciência pra postar nada por aqui ultimamente.

Não ganho um centavo pra estar aqui e o faço pelo mais puro e inexplicável amor por uma entidade imaterial que faz parte da minha vida assim como minha mãe ou meu irmão.

Mas, desde o papelão contra o Leão no maracanã pela Liberta, que não sei nem como começar a me expressar por aqui. Não sei se critico jogadores, um por um, dizendo o quanto acho que correm pouco e quando correm correm errado. Se critico o Jayme. A torcida. Ou se critico a diretoria. Não sei mesmo.

E não fico puto pura e simplesmente pelas derrotas do time. Ou por ter que aturar zoação de algum co-irmão sem taça do Rio de Janeiro.

Lamento mesmo é a falta que faz na minha vida o ritual de um dia daqueles de jogo quente no Maraca, com a Tijuca já tomada de Flamengo desde cedo e a cidade pulsando em vermelho e preto. É isso que faz falta. É ver a cidade acordando mais feliz depois de mais um milagre do pano sagrado.

Nossa realidade até o fim do ano pode ser escabrosa se continuarmos nesse sono monstro. Algo há de ser feito na nossa cozinha antes que esse angu encaroce de vez. É hora de alguém cortar o danoninho, cortar o playstation e colocar as crianças mimadas de castigo enquanto há tempo de corrigir e boletim vermelho.

Não temos um time ruim aguerrido. Isto seria um sonho.

Temos um time merda, sonolento, perdido, sem liderança e sem personalidade, incapaz de lidar com as adversidades da mais simples partida do amado esporte bretão. Faltam peças, é verdade. Mas falta sujar pelo menos mais 80% de short na terra.

O que quero dizer aqui é que precisamos do nosso espírito Flamengo de volta.

Temos um ano inteiro ainda pela frente. Uma pausa dramática pro showzinho da Senhora Fifa e muita água pra rolar debaixo dessa ponte. 36 rodadas de um Brasileirão e pelo menos uma oitava de final de Copa do Brazél.

Enquanto houver, campo, bola e um pano preto vermelho, estaremos aqui incansavelmente. Ninguém disse que seria fácil.

Que o cosmos e as forças ocultas da imaculada seita Flamenga estejam conosco.

E que o cerol coma solto na coxia rubro-negra.

Tamo Junto sempre.

SRN


VICE DE NOVO?

Aaaahhh, essas teimosas tuguinhas bigodudas da esquadra do VICE-Almirante da Gama…

Que figuras.

Imaginem vocês que, animadíssimas com os prognósticos otimistas da mídia super-especializada, travestiram-se em trajes típicos, desrespeitosos de tão feios, e foram às ruas. Não satisfeitas, se emocionaram, gritaram olé, entoaram cânticos grotescos de gosto duvidoso (Los Hermanos, rapaziada?), rodaram as calçolas e até ousaram exigir silêncio da favela mais borracha-forte do Brasil.

E todo este frenesi no bizuim, mais uma vez, antes da peleja terminar. Quanta ousadia.

E até que tudo ia ótimo pra Tuna Luso da Leopoldina tirar o vexatório atraso secular diante do poderoso rival e acabar de vez com essa brincadeira boba sem sentido de “Vice de novo!”. Tudo ia. Mas não foi.

Confesso para os amigos leitores que a pregada de quarta-feira ainda lateja no meu peito. Não tive nem cabeça pra tentar colocar aqui em palavras o que senti depois do papelão. Mas nada melhor do que uma finalzinha como essa pra massagear nossos bagos e nos lembrar que jogos vêm e vão, mas a chama Flamenga não se apaga jamais.

O jogo foi de um nível técnico baixíssimo. Digno do torneio da firma que foi esse Champonato Carioca. Falta de criatividade, de técnica, de treino, bica de um lado pro outro o tempo todo. Um peladão equilibrado, feio pros dois lados.

Até que num lance típico de pelada do Aterro, Chicão e um seiláquem resolveram flertar mais intensamente na área do Sargento De Lima. E a autoridade que é macho-pra-caralho botou as meninas pra se entender no chuveiro, viadagem na frente dele nem pensar.

Tudo fluiria e o enterro seguiria normalmente com menos um bacharel pra cada lado. Não sem o detalhe capital da partida: enquanto as bibas desciam ao chuveiro pra se conhecer melhor e talvez até rolar um lance, o tal do filho de Freak já se aquecia saliente, pronto pra tomar conta da quina canhota da nossa cozinha. Merda anunciada, cavalheiros.

Não demorou 5 minutos pro Sr. Elegante desfilar toda sua finesse e descer o prego no primeiro pão-com-ovo vestido de branco que passasse à sua frente. Só que dentro da nossa área. O pano nego tá pesando pra esse menino. Penal máximo, e bola no fundo do nosso barbante.

E é aí que começa a graça do certame de hoje.

Como num filme que você já viu mais de 20 vezes (há 26 anos, pra ser preciso!), foi chegando a hora do clímax, onde o mocinho finalmente arregaça o bandido malvadão.

É sempre aquela coisa né, o filme é previsível, você já sabe o final, mas quando o mundo inteiro explode ao redor do bonitão, o coração dispara como se fosse a primeira vez. E só vai relaxar de verdade, e até deixar escorrer aquela lagriminha tímida, quando o fumaceiro vir baixando e, enquanto dramaticamente subir a trilha apoteótica, vir surgindo no horizonte, num cambaleado caminhar, sob os escombros de mais uma batalha, o ensanguentado mocinho guerreiro, mais vivo do que nunca, de pé como sempre, pronto pra enterrar mais um vilão e sair nos braços da donzela.

Não quero saber se teve impedimento, macumba, envenenamento ou conspiração illuminati.

A escrita está mantida. E o espírito rubro-negro, mais vivo do que nunca.

E nada melhor, enquanto digerimos os últimos percalços, do que a manifestação terrestre da mística Flamenga em rede nacional. Pra que não nos esqueçamos que, jogadores e campeonatos, vêm e vão, mas a entidade Flamenga não morre jamais.

Enquanto houver pano preto-e-vermelho em campo, haverá magia.

“Me leva nessa mar de amor.
Vem me abraça mais, que eu quero é mais o seu coração!”

A favela não se calará.

QUE LA SIGAN CHUPANDO!


Mundo 1 x 2 “Eu vou morrer lá dentro se for preciso”

Pobres são os mortais que, em ato de ousadia e petulância, duvidam, mesmo que por um segundo, das forças magnéticas que irradiam do sagrado pano preto e vermelho, e o seu potencial espírita em reverter as situações matemático-esportivas mais cabeludas das galáxias.

Matemática é para os fracos, miseráveis. Aqui é Flamengo!

E onde tem Flamengo, compadres, não tem matemática, não tem lógica, não tem Tristão Garcia e nem FGV. Somos os inimigos dos céticos, o terror das ciências exatas.

Não precisamos de calculadoras e nem de estatísticas. Precisamos simplesmente que nossos bravos guerreiros entendam o sacro-ofício de defender incondicionalmente o manto das forças cético-científicas que dominam a esfera esportiva, comendo com a mão, suando sangue e rasgando o short na terra. É aí que a magia acontece.

E ontem foi, com certeza, mais um episódio a ser lembrado na história viril das façanhas Flamengas.

Contra tudo e todos, adentramos a intimidadora cancha equadora já eliminados por boa parte dos come-dorme de cabelos engomados, comedores de petit gateau, que chamam de jornalismo esportivo ou mídia especializada. Nos fizeram ouví-los, exaustivamente, a defecar pela boca desde as presepadas contra o Bolívar. Foram 2 semanas de matéria fecal amplamente difundida em rede nacional. (Chupa, Rizek!)

Ao rolar da pelota, era possível notar uma segurança/confiança pouco vista neste nosso elenco, pelo menos nos últimos 4 meses. A molecada colocando a bola no chão e saindo pro jogo com autoridade. E cheio de desfalques cascudíssimos.

Até que numa abafada 100% viril e espadaúda da rapaziada da frente, tomamos-lhes o doce
e contamos com uma fanfarronice clássica do béque dos alemão. 1×0 numa batida de pênalti cardíaca de Alecgolimovic.

A partir daí o primeiro tempo se desenrolou num bololô federal no meio-de-campo com a nossa guarda real ferrabrás tendo atuação de gala, até o apito do caseiro professô. E é aí que destaco um momento simbólico da peleja de ontem.

Depois de atuação bravíssima dentro de campo no primeiro tempo, com muita seriedade e coração, o contestado/achincalhado/crucificado Welinton deu aula de rubro-negrismo em sua entrevista à imprensa redeglobeana – Eu vou morrer lá dentro se for preciso!

E o espírito foi esse nos próximos 49 minutos que nos esperavam. Os caras voltaram com um fogo no cu danado abafando nossa saída de bola. Empataram numa bobeada e o jogo foi se arrastando pra um empate que pra gente já era vitória.

Mas não sem antes os deuses da improbabilidade estapearem o tédio e a gato-mestragem (licença, Arthurzão) mais uma vez.

Depois de entrar fazendo uma fumaça cósmica, o espírito vivo do quarterback Gérson canhota nos reservava ainda a emoção final. O fatality.

Manifestado no corpo franzino, porém insinuante, de Negueba, nos deu o prazer de um lançamento globetrotter de 35 jardas, justamente nos pés malemolentes do Uri Geller de Sorocaba, o pé de pluma, melhor domínio de bola do Brasil, Paulinho. E o resultado disso todo mundo já sabe: balanço de capim no fundo do barbante, algumas milhões de bocas caladas e festa, muita festa na favela.

Vitória maiúscula do nosso esquadrão.

Mais uma vez renascemos da dificuldade máxima.

Mas não tem nada ganho ainda.

Que na quarta que vem, com todos nós devidamente fumegantes nas geladas arquibancadas padrão fifa do New Maracanan, os 11 escolhidos, quaisquer que sejam, evoquem o espírito Flamengo guerreiro novamente, afastando de vez qualquer possibilidade de existir favela sem festa nesse Brasil.

Pra dentro deles, Flamengo! A dividida ganha quem tem união.

SRN

PS: Aos leitores mais qualificados do nosso humilde feijão, que alguém avise ao nobre André Rizek que a imprensa mais popular joga com o Flamengo pelo mesmo motivo que ele deixa pra mostrar os lances do nosso jogo por último no Redação Sportv: audiência, amigo, audiência!

Pra quem não tá entendendo porra nenhuma: http://globotv.globo.com/sportv/redacao-sportv/v/andre-rizek-critica-imprensa-carioca-e-fala-em-parcialidade-a-favor-do-flamengo/3252517/


Não faz mais do que sua obrigação 3×0

Me lembro como se fosse ontem, em resposta a um humildão boletim sem nota vermelha, de ouvir da minha ferrabrás genitora a célebre letra “NÃO FAZ MAIS DO QUE SUA OBRIGAÇÃO”. O corte seco parece ecoar na minha cabeça em eterno loop a cada vez que me pego em clima de oba-oba por qualquer que seja o motivo.

3×0 com certa facilidade numa semifinal do carcumido e vulgarizado “campeonato” da várzea carioca em cima do temido combinado de boleiros da Praia do Forte? NÃO FAZ MAIS DO QUE SUA OBRIGAÇÃO.

A peleja foi, pra não ser rude, no mínimo, mocoronga.
Com meia dúzia de nobressíssimos guerreiros nas arquibas padrão Fifa do New Maracanan, o que se viu em campo foi um time bastante desfalcado, com alguma disposição em mostrar serviço (NÃO FAZ MAIS DO QUE SUA OBRIGAÇÃO) e esbarrando em algumas deficiências crônicas dos últimos tempos.

A se destacar positivamente o retorno pro-ativo do arisco Paulinho, a disposição do vacilão Luizan Tônio em limpar o filme queimadaço com a rapaziada (NÃO FAZ MAIS DO QUE SUA OBRIGAÇÃO), a entrada abusada do ensaboado Mugni no segundo tempo e o momento abençoado de Alecgol-que-tem-cara-de-atendente-do-Bobs. O cara tá fedendo a gol mesmo. Joga no hômi que bate e entra. Canta pra descer, filho. Agora, se é pra subir na escadinha pra comemorar o gol, meu camarada, se joga logo de cabeça nos populares gordurentos, porra. Tá com nojinho?

Tirando os detalhes destacados, foi mais uma quarta-feira de tédio em níveis estratosféricos. Tanto que em 5 parágrafos mescos já falei tudo o que tinha a falar e só vou miguelar mais um pouquinho pro plantão não ficar feio pro meu lado.

Que domingo o nosso professor coloque time titular de novo.
Pra que não percam o ritmo.

E que na semana que vem embucetem Guayaquil a dentro onde a criança chora e a mãe não ouve babando sangue, comendo com a mão, fazendo falta de educação, à 300km/h, fumegando pelas ventas, não deixando pedra sobre pedra. É o mínimo que espero diante de um adversário com folha de pagamento inferior ao salário do Cazeduardo.

É provável, inclusive, que voltemos a nos falar somente na próxima quarta-feira mesmo. Porque é bem provável que eu não tenha a menor paciência pra gastar minha gramática com pelejas pra menos de 5000 doentes nas arquibancadas. Me recuso. A não ser que os nossos poucos e bons leitores implorem muito com argumentos bem embasados.

Enquanto isso não acontece, o ritual básico da borracha-fortice flamenga: muito arroz, feijão e bago pra dentro do bucho sem água e sem caô.

Só os fortes sobreviverão.

SRN


2 x 2 Bolívias

Há muito tempo que não saio tão desgostoso fumegante pelas ventas do Maraca.

Não tem nada pior do que ver a favela mais radiante e premiada do sistema solar descer as rampas sagradas maracanenses de biquinho ouvindo cornetadas impiedosas pelo radinho e negociando em pequenas assembleias os favoritos a terem seus cocos penduradados em praça pública para deleite da população indignada.

De rabo de ouvido, ouvi clamarem pelo cabeção do glorioso Jampa. Ouvi clamarem pela aposentadoria do infrutífero Elano. Ouvi clamarem por uma surra de rabo de porco ensebado no presepeiro-senior-futebol-junior Marralha. Ouvi clamarem até mesmo, pasmem amigos, pela volta do, agora craque insubstituível, André Santos.

Ouve-se de tudo na távola redonda flamenga. Mas se aumentam, não inventam. As ruas não mentem.

Como defender um cidadão que entrega o segundo gol dos Bolívia numa presepada monstra depois de ter nego penetrando sua retaguardinha magra o jogo inteiro? Ou a inútil figura do camisa 7 a vagar sem sangue, sem alma e sem colhões enquanto esteve dentro das quatro linhas?

Difícil. Faltam argumentos.

A verdade é que o time inteiro merece um chamadão quente do Sir Jayme. Descer a chinela mesmo. Não podem entregar, diante do cósmico organismo vivo das arquibancadas preto e vermelha, um jogo tosco deste para os maiores pão-com-ovo do grupo. Não dá.

E não quero nem saber quem jogou mal, quem jogou bem. Se entregaram, pra mim foram todos uns cagalhões.

Fato é que nosso meio-de-campo tem que fazer alguma coisa que não seja pentear a bola e recuar pros zagueiros darem chutões. O que o Cáceres ganhou de dividida, Elano e Marralha tiraram o pé, como sempre.

Agora vão ter que comer com a mão e sentar na boca do boi lá na Transilvânia boliviana, amigo. Lá onde a criança chora e a mãe não ouve. Dêem o jeito de vocês.

Enquanto eu cuido de um coração ferido aqui, espero que os filhotes da mamãe tratem de esquecer o carnaval, os moicanos, as luzes californianas e o playstation pra jogarem como homens o que não jogaram no ano inteiro ainda. É matar ou morrer.

A hora é agora.

Menos Yakult e mais mocotó na concentração desses come-dorme.

SRN


Fica, Hernane 3 x 1 Equadores

A semana começou esquisitaça pra massa flamenga.

Mesmo depois do triunfo de sábado sobre o potentíssimo Resende, com direito a show de Alecbala e chapeleta do capita, o sentimento que rondava o templo preto e vermelho era de apreensão máxima.

Tudo pela escabrosa possibilidade de partida imediata do xodó da torcida e xodó das redes, El Broca. Em cada mesa de bar, grupo de whatsapp, reunião de condomínio ou roda de macumba, a pauta era o mesma: como sobreviveremos sem a crueldade do comandante da nossa linha de frente?

Enquanto a tal transação ainda se desenrolava nos obscuros bastidores do mundo da bola, chegávamos ao estádio ainda sem saber se o camisa 9 seria escalado. Estaria Alecsimovic com os colhões a flamejar suficientemente para substituir El gran Broca?
As opiniões eram divididas.

A apreensão terminaria no anúncio da presença do 9 sinistro no time titular pelo telão padrão fifa do New Maracanan: comemoração digna de gol.

Com a bola rolando, a tensão continuou.
Tirando as elogiáveis atitudes ferrabrázes de Schopenwallace, Samir-Baresi-Negro e Príncipe Cáceres, fomos um time de moças no primeiro tempo.
Pra nossa sorte, mas não por acaso, o imaculado uniforme flamengo foi concebido para não permitir que os borracha-fraca saiam de campo despercebidos sem levar a devida corneta. O shortão branco não perdoa os bate-fofo.

Muralha, André Santos, Elano e Mugni que os digam. Desceriam todas secas e de calçolas branquinhas ao vestiário no fim do primeiro tempo.

Pra resumir, se não fosse o golaço espírita-galístico de Elanô, a coisa poderia ter ficado enjoada pro nosso lado.

Lorde Jayme não aguentaria mais 45 minutos de presepada. Nem nós. A entrada de Gabriel Capetinha, clamada fervorosamente entre os arquibaldos-classe-AB do New Maracanan, era a carta na manga do Professor. E o endiabrado filho da tempestade não decepcionou.

Meteu fogo na cancha mais uma vez no ano e já pede passagem no time titular. O arisco brejeiro bagunçou a roseira sem misericórdia. Driblou, passou, correu, deu carrinho. Atuação digníssima. Temos um reforço! E ele esteve o ano passado inteiro entre nós.

De cara nova e calções muito mais sujos, o Mengão ameaçava legal o pagode dos equadores.

Até que na primeira dividida ganha pelos cansados ex-CBFs Elano e André Santos pela ponta canhota, a bola pingaria, de frente pro gol, na pata assassina do protagonista da noite: El Broca. O resultado, a gente nem precisa dizer. 2×0 pro místico rubro-negro. Gol de Hernane, o rei do Maraca padrão fifa. Enquanto sua alma era negociada com chineses, Hernane entregava seu coração à Magnética de braços abertos. Que gesto, que momento. Festa na favela! Fica, Hernane!

A partir daí foram poucos sustos, show de gala de Gabriel Capetinha, baile de Alecsimovic, gol de um bravo Evertinho e mais festa na favela.

3 pontos na mochila, novo/velho reforço apresentado, e um Flamengo que só precisa rasgar o bermudão e comer grama desde os primeiros segundos de jogo.

Menos petit gateau, mais feijão.

É disso que Flamenguista gosta.

SRN