Fla x Gambazada

Os meia dúzia de leitores mais assíduos da nossa empreitada Flamenga cibernética devem ter percebido que não tenho tido a menor paciência pra postar nada por aqui ultimamente.

Não ganho um centavo pra estar aqui e o faço pelo mais puro e inexplicável amor por uma entidade imaterial que faz parte da minha vida assim como minha mãe ou meu irmão.

Mas, desde o papelão contra o Leão no maracanã pela Liberta, que não sei nem como começar a me expressar por aqui. Não sei se critico jogadores, um por um, dizendo o quanto acho que correm pouco e quando correm correm errado. Se critico o Jayme. A torcida. Ou se critico a diretoria. Não sei mesmo.

E não fico puto pura e simplesmente pelas derrotas do time. Ou por ter que aturar zoação de algum co-irmão sem taça do Rio de Janeiro.

Lamento mesmo é a falta que faz na minha vida o ritual de um dia daqueles de jogo quente no Maraca, com a Tijuca já tomada de Flamengo desde cedo e a cidade pulsando em vermelho e preto. É isso que faz falta. É ver a cidade acordando mais feliz depois de mais um milagre do pano sagrado.

Nossa realidade até o fim do ano pode ser escabrosa se continuarmos nesse sono monstro. Algo há de ser feito na nossa cozinha antes que esse angu encaroce de vez. É hora de alguém cortar o danoninho, cortar o playstation e colocar as crianças mimadas de castigo enquanto há tempo de corrigir e boletim vermelho.

Não temos um time ruim aguerrido. Isto seria um sonho.

Temos um time merda, sonolento, perdido, sem liderança e sem personalidade, incapaz de lidar com as adversidades da mais simples partida do amado esporte bretão. Faltam peças, é verdade. Mas falta sujar pelo menos mais 80% de short na terra.

O que quero dizer aqui é que precisamos do nosso espírito Flamengo de volta.

Temos um ano inteiro ainda pela frente. Uma pausa dramática pro showzinho da Senhora Fifa e muita água pra rolar debaixo dessa ponte. 36 rodadas de um Brasileirão e pelo menos uma oitava de final de Copa do Brazél.

Enquanto houver, campo, bola e um pano preto vermelho, estaremos aqui incansavelmente. Ninguém disse que seria fácil.

Que o cosmos e as forças ocultas da imaculada seita Flamenga estejam conosco.

E que o cerol coma solto na coxia rubro-negra.

Tamo Junto sempre.

SRN

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VICE DE NOVO?

Aaaahhh, essas teimosas tuguinhas bigodudas da esquadra do VICE-Almirante da Gama…

Que figuras.

Imaginem vocês que, animadíssimas com os prognósticos otimistas da mídia super-especializada, travestiram-se em trajes típicos, desrespeitosos de tão feios, e foram às ruas. Não satisfeitas, se emocionaram, gritaram olé, entoaram cânticos grotescos de gosto duvidoso (Los Hermanos, rapaziada?), rodaram as calçolas e até ousaram exigir silêncio da favela mais borracha-forte do Brasil.

E todo este frenesi no bizuim, mais uma vez, antes da peleja terminar. Quanta ousadia.

E até que tudo ia ótimo pra Tuna Luso da Leopoldina tirar o vexatório atraso secular diante do poderoso rival e acabar de vez com essa brincadeira boba sem sentido de “Vice de novo!”. Tudo ia. Mas não foi.

Confesso para os amigos leitores que a pregada de quarta-feira ainda lateja no meu peito. Não tive nem cabeça pra tentar colocar aqui em palavras o que senti depois do papelão. Mas nada melhor do que uma finalzinha como essa pra massagear nossos bagos e nos lembrar que jogos vêm e vão, mas a chama Flamenga não se apaga jamais.

O jogo foi de um nível técnico baixíssimo. Digno do torneio da firma que foi esse Champonato Carioca. Falta de criatividade, de técnica, de treino, bica de um lado pro outro o tempo todo. Um peladão equilibrado, feio pros dois lados.

Até que num lance típico de pelada do Aterro, Chicão e um seiláquem resolveram flertar mais intensamente na área do Sargento De Lima. E a autoridade que é macho-pra-caralho botou as meninas pra se entender no chuveiro, viadagem na frente dele nem pensar.

Tudo fluiria e o enterro seguiria normalmente com menos um bacharel pra cada lado. Não sem o detalhe capital da partida: enquanto as bibas desciam ao chuveiro pra se conhecer melhor e talvez até rolar um lance, o tal do filho de Freak já se aquecia saliente, pronto pra tomar conta da quina canhota da nossa cozinha. Merda anunciada, cavalheiros.

Não demorou 5 minutos pro Sr. Elegante desfilar toda sua finesse e descer o prego no primeiro pão-com-ovo vestido de branco que passasse à sua frente. Só que dentro da nossa área. O pano nego tá pesando pra esse menino. Penal máximo, e bola no fundo do nosso barbante.

E é aí que começa a graça do certame de hoje.

Como num filme que você já viu mais de 20 vezes (há 26 anos, pra ser preciso!), foi chegando a hora do clímax, onde o mocinho finalmente arregaça o bandido malvadão.

É sempre aquela coisa né, o filme é previsível, você já sabe o final, mas quando o mundo inteiro explode ao redor do bonitão, o coração dispara como se fosse a primeira vez. E só vai relaxar de verdade, e até deixar escorrer aquela lagriminha tímida, quando o fumaceiro vir baixando e, enquanto dramaticamente subir a trilha apoteótica, vir surgindo no horizonte, num cambaleado caminhar, sob os escombros de mais uma batalha, o ensanguentado mocinho guerreiro, mais vivo do que nunca, de pé como sempre, pronto pra enterrar mais um vilão e sair nos braços da donzela.

Não quero saber se teve impedimento, macumba, envenenamento ou conspiração illuminati.

A escrita está mantida. E o espírito rubro-negro, mais vivo do que nunca.

E nada melhor, enquanto digerimos os últimos percalços, do que a manifestação terrestre da mística Flamenga em rede nacional. Pra que não nos esqueçamos que, jogadores e campeonatos, vêm e vão, mas a entidade Flamenga não morre jamais.

Enquanto houver pano preto-e-vermelho em campo, haverá magia.

“Me leva nessa mar de amor.
Vem me abraça mais, que eu quero é mais o seu coração!”

A favela não se calará.

QUE LA SIGAN CHUPANDO!


Mundo 1 x 2 “Eu vou morrer lá dentro se for preciso”

Pobres são os mortais que, em ato de ousadia e petulância, duvidam, mesmo que por um segundo, das forças magnéticas que irradiam do sagrado pano preto e vermelho, e o seu potencial espírita em reverter as situações matemático-esportivas mais cabeludas das galáxias.

Matemática é para os fracos, miseráveis. Aqui é Flamengo!

E onde tem Flamengo, compadres, não tem matemática, não tem lógica, não tem Tristão Garcia e nem FGV. Somos os inimigos dos céticos, o terror das ciências exatas.

Não precisamos de calculadoras e nem de estatísticas. Precisamos simplesmente que nossos bravos guerreiros entendam o sacro-ofício de defender incondicionalmente o manto das forças cético-científicas que dominam a esfera esportiva, comendo com a mão, suando sangue e rasgando o short na terra. É aí que a magia acontece.

E ontem foi, com certeza, mais um episódio a ser lembrado na história viril das façanhas Flamengas.

Contra tudo e todos, adentramos a intimidadora cancha equadora já eliminados por boa parte dos come-dorme de cabelos engomados, comedores de petit gateau, que chamam de jornalismo esportivo ou mídia especializada. Nos fizeram ouví-los, exaustivamente, a defecar pela boca desde as presepadas contra o Bolívar. Foram 2 semanas de matéria fecal amplamente difundida em rede nacional. (Chupa, Rizek!)

Ao rolar da pelota, era possível notar uma segurança/confiança pouco vista neste nosso elenco, pelo menos nos últimos 4 meses. A molecada colocando a bola no chão e saindo pro jogo com autoridade. E cheio de desfalques cascudíssimos.

Até que numa abafada 100% viril e espadaúda da rapaziada da frente, tomamos-lhes o doce
e contamos com uma fanfarronice clássica do béque dos alemão. 1×0 numa batida de pênalti cardíaca de Alecgolimovic.

A partir daí o primeiro tempo se desenrolou num bololô federal no meio-de-campo com a nossa guarda real ferrabrás tendo atuação de gala, até o apito do caseiro professô. E é aí que destaco um momento simbólico da peleja de ontem.

Depois de atuação bravíssima dentro de campo no primeiro tempo, com muita seriedade e coração, o contestado/achincalhado/crucificado Welinton deu aula de rubro-negrismo em sua entrevista à imprensa redeglobeana – Eu vou morrer lá dentro se for preciso!

E o espírito foi esse nos próximos 49 minutos que nos esperavam. Os caras voltaram com um fogo no cu danado abafando nossa saída de bola. Empataram numa bobeada e o jogo foi se arrastando pra um empate que pra gente já era vitória.

Mas não sem antes os deuses da improbabilidade estapearem o tédio e a gato-mestragem (licença, Arthurzão) mais uma vez.

Depois de entrar fazendo uma fumaça cósmica, o espírito vivo do quarterback Gérson canhota nos reservava ainda a emoção final. O fatality.

Manifestado no corpo franzino, porém insinuante, de Negueba, nos deu o prazer de um lançamento globetrotter de 35 jardas, justamente nos pés malemolentes do Uri Geller de Sorocaba, o pé de pluma, melhor domínio de bola do Brasil, Paulinho. E o resultado disso todo mundo já sabe: balanço de capim no fundo do barbante, algumas milhões de bocas caladas e festa, muita festa na favela.

Vitória maiúscula do nosso esquadrão.

Mais uma vez renascemos da dificuldade máxima.

Mas não tem nada ganho ainda.

Que na quarta que vem, com todos nós devidamente fumegantes nas geladas arquibancadas padrão fifa do New Maracanan, os 11 escolhidos, quaisquer que sejam, evoquem o espírito Flamengo guerreiro novamente, afastando de vez qualquer possibilidade de existir favela sem festa nesse Brasil.

Pra dentro deles, Flamengo! A dividida ganha quem tem união.

SRN

PS: Aos leitores mais qualificados do nosso humilde feijão, que alguém avise ao nobre André Rizek que a imprensa mais popular joga com o Flamengo pelo mesmo motivo que ele deixa pra mostrar os lances do nosso jogo por último no Redação Sportv: audiência, amigo, audiência!

Pra quem não tá entendendo porra nenhuma: http://globotv.globo.com/sportv/redacao-sportv/v/andre-rizek-critica-imprensa-carioca-e-fala-em-parcialidade-a-favor-do-flamengo/3252517/